MEMÓRIA E LEGADO: empresário de Rondônia lança livro de memórias inspirado na perda da mãe
Por Redação
Obra autobiográfica intitulada “Migalhas de Mim” resgata vivências e reflexões sobre a impermanência da vida, contando com o auxílio da inteligência artificial no processo criativo.
A perda de um ente querido muitas vezes serve como ponto de virada para reflexões profundas sobre a existência. Foi exatamente esse o gatilho emocional que levou o administrador e coordenador comercial da Eucatur, João Carlos Colombo (57), a dar vida ao seu primeiro projeto literário estruturado: o livro autobiográfico “Migalhas de Mim”.
Natural de Maria Helena (PR) e residente em Cacoal (RO), Colombo iniciou a escrita da obra em 2025, pouco tempo após o falecimento de sua mãe devido a um câncer devastador. Para o autor, a partida maternal evidenciou a fragilidade da vida e a constatação de que, ao fim, o que verdadeiramente permanece são as memórias deixadas.
“Percebi que, no final, o que restará de nós serão as lembranças que deixarmos. Foi dessa percepção que nasceu a necessidade de eternizar um pouco de mim”, relata o autor.
Entre o passado e a sensibilidade humana
Embora adote um caráter confessional e íntimo, Migalhas de Mim não segue o formato cronológico tradicional das autobiografias. A obra compila fragmentos da trajetória, sentimentos e reflexões do autor, mesclando episódios reais com tratamento literário para preservar a privacidade de terceiros.
Segundo Colombo, o maior desafio do processo foi revisitar momentos que acreditava estarem superados e encontrar o equilíbrio entre a sinceridade e a preservação pessoal. Por outro lado, a facilidade veio da própria bagagem: o gosto por narrar histórias acompanha o paranaense desde a infância, época em que chegou a rascunhar narrativas de faroeste.
Inovação e propósito
Um dos aspectos singulares da produção do livro foi o uso da tecnologia. Sem contratar equipes formais de revisão ou edição, Colombo recorreu à inteligência artificial para estruturar ideias e aprimorar os textos. No entanto, o autor faz questão de ressaltar que a essência permaneceu estritamente humana: “A inteligência artificial me ajudou a organizar as palavras, mas foi a vida que me deu as histórias”, diz.
Como surgiu a ideia de escrevê-lo? O que o levou a este projeto?
A ideia surgiu em 2025, pouco depois de perder minha mãe para um câncer muito agressivo.
Sempre gostei de contar histórias, mas, naquele momento, compreendi que algumas delas precisavam ser registradas. Não apenas para que fossem lidas, mas para que não se perdessem com o passar do tempo.
Quais as maiores dificuldades para colocar a história no papel?
A maior dificuldade foi revisitar determinados momentos da minha vida.
Quando escrevemos sobre nós mesmos, inevitavelmente reencontramos sentimentos, situações e lembranças que, muitas vezes, acreditávamos ter deixado para trás.
Também existe o desafio de encontrar o equilíbrio entre a sinceridade e a preservação das pessoas que fizeram parte da nossa história.
Nem tudo aquilo que vivemos precisa ser exposto exatamente como aconteceu. É possível preservar a essência de uma experiência sem comprometer a privacidade de quem esteve presente.
Escrever sobre si mesmo exige coragem, porque nem sempre é fácil olhar para o próprio passado.
E quais facilidades?
A maior facilidade foi justamente conhecer as histórias que desejava contar.
Sempre tive prazer em narrar acontecimentos, recordar situações e compartilhar experiências. De certa maneira, o contador de histórias já existia muito antes de surgir a ideia do livro.
Não precisei inventar os sentimentos, porque eles já faziam parte de mim.
O desafio foi transformar essa facilidade de contar histórias verbalmente em uma narrativa escrita, sem perder a espontaneidade e a emoção.
Quem o apoiou?
Na verdade, compartilhei a ideia do livro com poucas pessoas.
Sempre fui relativamente reservado em relação a esse projeto. Entretanto, todas as pessoas com quem conversei demonstraram entusiasmo e disseram enxergar em mim potencial para a escrita.
Essas manifestações foram importantes, porque, muitas vezes, outras pessoas conseguem perceber em nós capacidades que ainda estamos descobrindo.
Mas acredito que o maior incentivo tenha vindo da minha própria necessidade de transformar lembranças e sentimentos em palavras.

O livro será impresso?
Sim. Pretendo realizar uma pequena tiragem impressa.
Nunca tive a intenção de obter retorno financeiro com essa obra. Meu objetivo não é comercial, mas pessoal.
Quero que o livro exista fisicamente, que possa ser segurado, folheado e guardado por pessoas que fazem parte da minha vida.
Para mim, seu valor não estará na quantidade de exemplares produzidos, mas no significado que cada um deles poderá carregar.
É sua primeira obra literária?
Sim, Migalhas de Mim é minha primeira obra literária estruturada.
Entretanto, minha relação com a escrita começou ainda na infância, quando cheguei a rascunhar algumas páginas de uma história de faroeste.
Naquela época, era apenas um menino dando asas à imaginação, criando personagens e aventuras, sem qualquer pretensão literária.
A vida seguiu, vieram as responsabilidades profissionais e familiares, e a escrita acabou ficando em segundo plano.
Talvez o escritor não tenha surgido agora. Talvez ele estivesse apenas adormecido naquele menino que gostava de inventar histórias.
Quanto tempo levou para escrever o livro?
Comecei a escrever em 2025, pouco depois do falecimento da minha mãe.
Foi um processo desenvolvido ao longo dos meses, sem a preocupação de cumprir prazos rígidos.
A escrita foi acontecendo conforme as lembranças surgiam e eu encontrava maneiras de transformá-las em narrativa.
Mais do que medir o tempo dedicado ao livro, considero importante compreender o momento em que ele nasceu.
Algumas histórias não surgem simplesmente da vontade de escrever, mas de acontecimentos que transformam profundamente nossa maneira de enxergar a vida.
Contratou uma equipe para edição e/ou revisão do material?
Não contratei uma equipe de revisão ou edição.
Durante o desenvolvimento da obra, contei com o auxílio da inteligência artificial, que me ajudou na organização das ideias, na estruturação da narrativa e no aprimoramento dos textos.
Entretanto, fiz questão de preservar aquilo que considero a essência do livro: a humanidade do contador de histórias.
As lembranças são minhas, os sentimentos são verdadeiros e as experiências fazem parte da minha trajetória.
A tecnologia não viveu nada disso por mim. Foi uma ferramenta que me auxiliou a encontrar maneiras de expressar aquilo que desejava contar.
Costumo pensar que a inteligência artificial me ajudou a organizar as palavras, mas foi a vida que me deu as histórias.
Acredito que a tecnologia pode contribuir muito com a literatura, desde que não substitua a sensibilidade, a autenticidade e a identidade de quem escreve.
Teve gastos com o projeto?
Até o momento, meu maior investimento foi o tempo dedicado à escrita.
Ainda não tive despesas financeiras diretamente relacionadas à produção do livro.
Naturalmente, como pretendo publicar uma pequena quantidade de exemplares impressos, haverá algum investimento nas etapas de finalização e impressão.
Entretanto, nunca enxerguei Migalhas de Mim como um empreendimento comercial.
Não escrevi pensando em retorno financeiro, mas no desejo de deixar registradas algumas passagens da minha existência.
Se existe algo verdadeiramente valioso nesse projeto, são as horas dedicadas a revisitar lembranças, resgatar sentimentos e transformar experiências em palavras.
Afinal, existem coisas cujo valor não pode ser medido em dinheiro.
Como o leitor poderá ter acesso ao livro?
Inicialmente, pretendo produzir uma pequena tiragem impressa, destinada principalmente a presentear pessoas próximas, que de alguma forma fazem parte da minha trajetória.
Quero oferecer esses exemplares gratuitamente, como uma maneira de compartilhar um pouco da minha história com aqueles que também fazem parte dela.
Também pretendo disponibilizar uma versão digital, permitindo que outras pessoas tenham acesso à obra.
Não tenho a pretensão de alcançar grandes números de leitores ou transformar o livro em um sucesso comercial.
Meu desejo é muito mais simples: dar continuidade a um projeto que nasceu de uma reflexão sobre a vida, a memória e o tempo.
Se um dia minhas palavras chegarem a alguém que nunca me conheceu e despertarem alguma emoção, já considerarei que Migalhas de Mim cumpriu seu propósito.
Afinal, foi para isso que comecei a escrever: para que, quando o tempo levar minha presença, alguma coisa de mim ainda permaneça.
Fale mais sobre o livro:
Migalhas de Mim nasceu de uma ausência, mas também de uma descoberta.
Quando perdi minha mãe, compreendi de maneira dolorosa que a vida não nos pertence para sempre. Que o tempo, silenciosamente, vai levando pessoas, vozes, abraços e momentos que gostaríamos de preservar.
Foi então que percebi que, ao final de nossa passagem por este mundo, talvez o que realmente permaneça sejam as lembranças que deixamos.
Minha mãe partiu, mas continua viva nas minhas memórias. E foi justamente essa percepção que despertou em mim o desejo de escrever.
Não tenho a pretensão de ser um grande escritor. Sou, antes de tudo, um contador de histórias. Um homem comum que viveu, errou, acertou, amou, perdeu e aprendeu.
Sei que não posso impedir a passagem do tempo, mas posso tentar impedir que algumas lembranças desapareçam com ele.
Migalhas de Mim é isso: pequenos fragmentos de uma existência que decidi transformar em palavras.
E, se um dia alguém abrir esse livro, mesmo quando eu já não estiver aqui, e conseguir enxergar um pouco de quem fui, terei alcançado meu maior objetivo.
Porque a vida passa, as pessoas partem, mas as histórias merecem permanecer.
À minha mãe, que, mesmo em sua ausência, acabou me ensinando uma das maiores lições da minha vida: a importância de preservar aquilo que o tempo não deveria apagar.

Fotos: arquivo pessoal

