Jornalista é excluído três vezes de grupo de notícias em Vilhena e questiona restrições à liberdade de expressão
Após ser reinserido no grupo sem solicitar, Mário Quevedo foi removido novamente na madrugada desta quinta-feira (29). Correspondente do Rondônia ao Vivo afirma que não pretende retornar ao espaço e lamenta que o episódio envolva um grupo identificado com o nome do radialista Julinho Silva, a quem considera amigo e não responsabiliza pelas exclusões
VILHENA – O jornalista Mário Quevedo, correspondente do Rondônia ao Vivo, foi excluído pela terceira vez do grupo de WhatsApp Julinho Notícias, bastante movimentado em Vilhena. O episódio, que começou na segunda-feira (26), teve novos desdobramentos na quarta-feira (28), quando o jornalista foi reinserido no grupo sem solicitar o retorno, mas acabou removido novamente na madrugada desta quinta-feira (29).
A sequência de exclusões provocou uma mudança na posição de Quevedo, que inicialmente pretendia questionar publicamente o episódio por meio de um artigo. Agora, ele afirma que não tem mais interesse em participar do grupo, mesmo que seja novamente incluído.
O espaço utiliza o nome do radialista Júlio Silva, conhecido como Julinho da Rádio, da Positiva FM. Segundo o relato de Quevedo, porém, as decisões de exclusão partiram de Elione Russo, outro administrador do grupo, que não atua profissionalmente na área da comunicação.
Exclusões
A primeira exclusão ocorreu na segunda-feira (26). Depois de ser retirado do grupo, Quevedo procurou Russo para questionar a decisão. Também conversou com Julinho Silva e com outro jornalista, amigo seu e integrante da administração do espaço. Após essas conversas, foi reinserido ainda naquela noite.
Na terça-feira (27), entretanto, Quevedo voltou a ser excluído pela mesma pessoa, conforme seu relato. O jornalista decidiu então preparar um artigo para publicação no Rondônia ao Vivo, no qual pretendia relatar a situação e discutir o que considera uma contradição entre os discursos em defesa da liberdade de expressão e as restrições à participação de pessoas em um ambiente de debates.
Na manhã de quarta-feira (28), Quevedo voltou a entrar em contato com o jornalista amigo que também administra o grupo. Segundo ele, informou que não pediria uma nova reinserção e que pretendia apenas publicar o artigo sobre o caso.
O texto foi encaminhado à redação e também compartilhado previamente com o colega, para que ele soubesse do conteúdo antes de eventual publicação. No entanto, no final da tarde de quarta-feira, Quevedo foi surpreendido ao perceber que havia sido novamente adicionado ao grupo, dessa vez sem ter solicitado.
Diante da reinserção, suspendeu a publicação do artigo, agradeceu ao colega e passou a fazer postagens sobre o episódio. Segundo ele, as manifestações não continham ofensas, palavrões ou ataques pessoais, mas tratavam da sua experiência e da discussão sobre liberdade de expressão.
A permanência no grupo, porém, durou poucas horas. Na madrugada desta quinta-feira (29), Quevedo percebeu que havia sido removido novamente.
“Agora não faço mais questão de estar no grupo”
Com a terceira exclusão, o jornalista afirma que não pretende mais retornar ao espaço, mesmo que receba um novo convite. Ele também lamentou que o caso envolva um grupo identificado com o nome de Julinho Silva, ressaltando que não atribui ao radialista responsabilidade direta pelas decisões tomadas pelo outro administrador.
Quevedo destacou a relação de amizade e respeito que mantém com Julinho, com quem já realizou trabalhos em diferentes ocasiões. Segundo ele, ao longo da carreira, também deu espaço ao radialista nos veículos de comunicação para os quais escreve.
O correspondente afirmou admirar a trajetória de Julinho, a quem descreve como um comunicador destemido e conhecido por abrir espaço para diferentes pessoas e opiniões em seu programa na Rádio Positiva FM.
Por essa razão, Quevedo avalia que o nome do radialista acaba associado a uma situação que, segundo ele, não foi provocada diretamente por Julinho. A preocupação com esse vínculo foi um dos motivos que o levaram a suspender a publicação do primeiro artigo, depois de sua reinserção no grupo.
Com a nova exclusão, no entanto, o jornalista afirma que considera encerrada sua participação no espaço. Ele também lamenta que o nome de um profissional que respeita esteja associado a um episódio que classifica como uma restrição à liberdade de expressão.
Resposta do administrador
Na ocasião em que questionou Elione Russo sobre a exclusão, Quevedo recebeu a seguinte resposta, conforme mensagem apresentada pelo jornalista:
“E mesmo? Seu presidente e seu sistema bloqueou muita gente. Ai quando e com vc aí vc acha ruim? Eu sou o STF do grupo. Vc foi sensurado”.
A mensagem faz referência ao Supremo Tribunal Federal (STF) e compara a administração do grupo à autoridade da Corte. A resposta também afirma que Quevedo foi censurado, embora o administrador seja quem, segundo o relato, decidiu pela exclusão.
O episódio levanta questionamentos sobre os critérios utilizados para excluir participantes, a forma como as decisões são tomadas e a relação entre a identificação pública do grupo e as pessoas que efetivamente exercem sua administração.
Liberdade de expressão e responsabilidade
O caso ocorre em meio à polarização política que tem marcado o debate público e às frequentes discussões sobre liberdade de expressão nas redes sociais. Embora administradores de grupos privados possam estabelecer regras de participação, as exclusões repetidas, especialmente quando não há uma explicação clara apresentada ao participante, podem gerar questionamentos sobre os critérios adotados.
Quevedo afirma que suas postagens sobre o caso não tiveram caráter ofensivo e que pretendia relatar os acontecimentos e discutir a contradição que identifica entre a defesa da liberdade de expressão e a retirada de um jornalista de um grupo de debates.
A situação também reacende a discussão sobre o uso do nome e da imagem de profissionais da comunicação em espaços digitais. Para Quevedo, a associação do grupo a Julinho Silva torna o episódio mais delicado, embora ele ressalte que não responsabiliza o radialista pelas decisões que atribui ao outro administrador.
O jornalista afirma que manterá o artigo que havia preparado, mas que, neste momento, não pretende pedir para voltar ao grupo. Depois de ter suspendido a publicação quando foi reinserido na quarta-feira e de ter sido removido novamente poucas horas depois, ele diz que não faz mais questão de participar do espaço.
O episódio deixa questões sobre os critérios de administração do grupo, a transparência nas exclusões e os limites entre o direito de organizar um ambiente privado e a coerência dos discursos públicos em defesa da liberdade de expressão.
Fonte: Rondoniaovivo

