VILHENA – Casal de pavões “toca o terror” no Bairro Tancredo Neves

VILHENA – Casal de pavões “toca o terror” no Bairro Tancredo Neves

 Dupla inusitada fascina, mas também causa prejuízos; aves são acusadas de danificar telhados, placas solares e até veículos

Por Maria R. Gabriela

Moradores do Parque Industrial Tancredo Neves, vizinho ao bairro 5º BEC,  em Vilhena, ganharam vizinhos lindos, extravagantes e para lá de encrenqueiros.  Há alguns meses, um casal de pavões decidiu adotar ruas, muros e telhados da região como espaço de convivência. Agora, a opinião dos moradores está dividida entre o encantamento com a beleza das aves e o sobressalto com o comportamento territorial da dupla.

O “terror” alardeado pelos insatisfeitos é traduzido por garras afiadas destruidoras, voos curtos sobre carros e estruturas e o inconfundível (e alto) canto dos pavões, que não escolhe hora para ecoar.

O impasse envolvendo as aves, que são da cor azul, foi anunciado, inicialmente, em grupos de WhatsApp; depois chegou até nosso site em forma de denúncia anônima.

PREJUÍZOS EM OFICINA

A reportagem verificou que a informação procedia e descobriu que entre os locais mais afetados pelas incursões dos animais está uma oficina mecânica da região. O proprietário do estabelecimento Claudir Júlio Furtado Alves (40) relata que o casal de pavões já perfurou a cobertura do barracão e gerou estragos no capô de uma camionete de cliente que estava na oficina para conserto. Ele afirma que, somente no veículo, o prejuízo foi de R$ 400.

“Além deste caso, os pavões também subiram no carro de um funcionário deixando vários arranhões. O polimento para tirar as marcas custou R$ 200”, completa o empresário.

Ele ressaltou que as aves também assustam e incomodam por ficarem batendo nas janelas de casas. “Queremos que o proprietário prenda as aves para isso parar de acontecer. Está complicado do jeito que está”, assinala.

Claudir Alves contabiliza perdas em sua empresa

MAIS ESTRAGOS E RECLAMAÇÕES

Uma moradora, que preferiu não se identificar, validou a denúncia de perturbação: “Os animais sobem nos telhados, fazem muito barulho e acordam as pessoas fora de hora, principalmente os bebês”, destaca.

Já uma pequena empresária da região, que também não quis ser identificada, salientou que o pavão e a pavoa já danificaram placas solares de algumas residências. “Eles são lindos, realmente encantadores, mas não podem continuar soltos, infelizmente”, assevera, solicitando providências “por parte do tutor ou das autoridades”.

ATRAÇÃO

Apesar dos sustos, danos e barulho, a presença das aves também cativa e tem defensores. Muitas pessoas costumam registrar fotos e vídeos da dupla desfilando pelo Tancredo Neves.

Na contramão dos insatisfeitos está uma dona de casa que se apresentou apenas como Joana. Ela deixou evidente a sua admiração pelas aves e foi categórica ao afirmar que elas não deveriam ser presas e, sim, levadas para algum parque público.

Ainda deste lado da ponta está uma amiga de Joana. “São animais magníficos! Lindos de ver! Acho maravilhoso vê-los andando em nosso bairro. Eu prefiro não dizer meu nome pra não entrar nessa polêmica, mas sou favorável a deixar os pavões ficarem da boa”.

A imagem dos pavões em telhados passou a fazer parte do cotidiano do bairro

O QUE DIZ O TUTOR 

Roberto Giotto (40), autônomo do ramo de máquinas agrícolas, é o responsável pelas aves. Ele esclarece que comprou o casal de pavão azul e mais um casal de cor branca de um produtor de Ariquemes. “Fiz a aquisição há um ano e meio para colocar os animais na chácara da família. O que me motivou foi a vontade de poder apreciar a beleza ímpar dos animais diariamente. Porém, logo no início, o casal branco foi embora e só ficou o azul”, conta o tutor.

Questionado sobre os problemas causados na vizinhança, Roberto disse que nenhuma reclamação chegou até ele de forma direta. “Lamento as ocorrências, mas só ouvi falar dos casos, ‘meio por cima’, por intermédio de pessoas que falaram ter visto comentários em grupos de WhatsApp. De concreto mesmo, só vocês me procuraram para informar estes danos e perturbações”, dispara.

O tutor, que foi solícito no atendimento à reportagem e não se furtou a sua responsabilidade para com os pavões, diz que não se arrepende de tê-los comprado, mas fica preocupado pela insatisfação de moradores. O homem garante, no entanto,  que não tem como capturar os bichos. “Desde que foram soltos na chácara, não conseguimos mais chegar perto deles. Quando a noite cai, eles sobem na ponta de uma árvore alta perto da casa e, quando começa a clarear, já escapam para a rua”, relata.

Os pavões foram comprados R$ 2.500 cada par. As fêmeas são menores e não possuem a plumagem vistosa dos machos

CERCA NÃO FUNCIONA

A propriedade onde os pavões deveriam permanecer possui perus, patos e galinhas galinhas d’angola, entre outros animais, e fica no mesmo bairro Tancredo Neves. De acordo com Roberto, toda a área foi inteiramente cercada. “Por infelicidade, as barreiras de mais de dois metros não têm sido suficientes para conter as aves, que conseguem pular a cerca e voar em direção às residências e estabelecimentos comerciais. Só consigo parar os pavões se eu os matar, coisa que não vou fazer”, adianta.

COLABORAÇÃO

Diante da impossibilidade de realizar o resgate seguro por conta própria, o tutor faz apelo à cooperação da comunidade e de equipes especializadas para conseguir capturar o casal. “Desta forma, poderei colocar as aves numa gaiola grande impedindo novas fugas”.

O tutor fez questão de salientar que a aquisição dos animais não teve propósito comercial. “Nós não vendemos nada. A chácara é basicamente para nosso lazer. Tudo que é produzido nela é para nós mesmo, para nosso consumo, conforto e apreciação”.

Roberto Giotto aponta o topo da árvore onde as aves pernoitam: “Impossível capturar”

Foto de abertura: Revista Século (melhorada por IA)

Fotos gerais: Revista Século