RECORDAÇÕES QUE TRANSFORMAM: Sesc Vilhena inicia projeto inédito com alunos e ex‑alunos
Por: Maria R. Gabriela
Fotos: Revista Século e SESC
Reunião inaugura a “Oficina da Memória Afetiva”, dentro do programa Sesc de Portas Abertas
VILHENA – O tempo pode até passar, mas as lembranças que moldam trajetórias ganham novo significado no Sesc Vilhena. No dia 13 de março, a unidade deu início ao Projeto Sesc Portas Abertas – Trabalho com Grupos Intergeracionais, que inaugura as ações sistemáticas do Programa Assistência no município. A primeira atividade foi a Oficina da Memória Afetiva, transformando a Unidade do Sesc em um espaço de acolhimento, escuta e valorização de histórias pessoais, com a participação de estudantes do período noturno, ex‑alunos e convidados que mantêm convivência com o grupo.
O projeto vai além do ato de recordar: utiliza a memória como instrumento de promoção da saúde mental, integração social e fortalecimento de vínculos entre diferentes gerações, convidando o público a revisitar o passado de modo criativo e terapêutico.
Equipe e propósitos
A iniciativa foi idealizada pela Ariadne Colatto Viana, orientadora do Programa Educação no Sesc Vilhena, com o apoio de Marcelo Rafael de Oliveira, gerente da Unidade Sesc, e de toda a comunidade escolar.
“O conceito do Sesc de Portas Abertas é aproximar a instituição da sociedade, mostrando que o Sesc é um ambiente vivo, é o lugar onde a vida acontece. Como não estamos mais ofertando aulas durante o dia para pessoas EJA, pensamos em uma ação que reunisse os estudantes que hoje frequentam o período noturno e também os ex‑alunos que por aqui passaram e sentem vontade de retornar. “ explica Ariadne.

A oficina convidou os participantes a trazer objetos, fotografias ou relatos orais com forte significado emocional, estimulando a troca de experiências e o reconhecimento da própria história.
“Trabalhar a memória afetiva é validar a trajetória de vida de cada um. Quando abrimos espaço para essas histórias, combatemos o isolamento e fortalecemos o senso de comunidade”, afirma Ariadne.
CINEMA PARA SENSIBILIZAR: “Dona Cristina Perdeu a Memória”
A abertura das atividades ocorreu com a exibição do curta‑metragem “Dona Cristina Perdeu a Memória” (2002). O filme narra a aproximação entre Antônio, um menino de 8 anos, e Dona Cristina, uma senhora por volta dos 80 anos com doença de Alzheimer que vive em uma instituição de longa permanência. Entre lembranças fragmentadas e histórias contadas de formas diversas, o garoto passa a ajudar a idosa a reconstruir partes de sua memória — um ponto de partida sensível para refletir sobre cuidado, empatia e envelhecimento.

Memórias que emocionam
Durante a oficina, os participantes compartilharam objetos e relatos que revelaram camadas profundas de suas histórias pessoais:
Uma participante idosa levou a camisa que o esposo — já falecido — vestia no dia em que se conheceram.“Guardo essa peça há mais de 50 anos, pois me apaixonei por ele naquele dia, e da parte dele foi recíproco”, relatou.
Ariadne Colatto Viana apresentou a estatueta de uma bailarina, que a remete ao dia em que descobriu sua vocação para a docência.“Eu estudava balé e fui convidada a ensinar as crianças iniciantes. Ali percebi que queria ser professora, lidar com gente!”
Uma convidada, amiga próxima de um ex-estudante da instituição, levou uma bombonière que representa três gerações.“Minha filha deu o objeto para minha mãe e, antes de falecer, ela pediu que eu ficasse com ele. Por isso, essa peça é muito representativa para mim.”
Bilhetes, cartas e lembranças de momentos felizes — e também desafiadores — foram apresentados, tornando o encontro profundamente emocionante.

Impacto na comunidade
Para muitos, a oficina foi o ponto alto da semana. A convivência intergeracional — reunindo jovens do Sesc Vilhena, adultos e pessoas mais velhas — cria um ambiente em que saberes são preservados e novas perspectivas florescem, fortalecendo os vínculos comunitários e a dignidade humana.
Com o Sesc de Portas Abertas, o Sesc Vilhena reafirma seu compromisso com a promoção da qualidade de vida, o fortalecimento de vínculos e a preservação da memória afetiva, patrimônio imaterial que compõe a história da cidade e de sua gente.
Próximas atividades
O Sesc Portas Abertas – Trabalho com Grupos Intergeracionais ofertará oficinas ao longo do ano. Para abril, estão previstos dois encontros:
Oficina do Movimento – focada em consciência corporal, alongamento e mobilidade;
Oficina Mão na Massa – com atividades práticas e criativas, usando materiais diversos para integração entre os participantes.


