Pôneis entram para o mercado de equitação em Rondônia

Pôneis entram para o mercado de equitação em Rondônia

Escola do ramo está sendo implantada em Vilhena; animais são treinados para atender crianças e adolescentes portadores ou não de deficiência.

Dóceis e encantadores, os cavalos pôneis são raros em Rondônia, com poucos criadores da espécie para revenda apesar da grande demanda do mercado. Animais de estimação de valor considerável, se comparado a outros pets, os mini-horses têm a seu favor vários pontos positivos, a exemplo de seu uso em aulas de equitação, equoterapia voltada a portadores de necessidades especiais, terapia de idosos com demência e podem ser utilizados até mesmo como “pônei-guia” para cegos.

Em Vilhena, o produtor rural Elias da Silva Higino Júnior (30) abandonou o comércio de cavalos de raça para trabalho e apostou no segmento de pôneis para venda como animais de estimação. Em sua chácara, localizada no bairro São José, colada à área urbana, ele possui atualmente onze mini-horses, sendo que três deles estão à venda por valores entre R$ 3 mil e R$ 4 mil.
A pequena estatura não é uma anormalidade ou defeito dos pôneis, como muitos acreditam. Ao contrário, eles possuem a mesma resistência dos cavalos maiores, tanto no trabalho quanto no lazer. Elias da Silva conta que iniciou seu plantel adquirindo os pôneis que existiam na região. “Há cinco anos comprei uma fêmea do Rancho Paraná e um macho da família Stocco para presentear meus filhos.

Percebi um interesse muito grande também das outras crianças que vinham na chácara para brincar com os animais. Visualizando um bom mercado para eles, procurei por outros minicavalos para comprar na região. Encontrei seis fêmeas no rancho dos Marquezini e as comprei, já que eles possuíam os animais, mas não tinham interesse em transformar a criação em atividade comercial”.

Ele complementa que, “nesses cinco anos nasceram seis filhotes. Vendi três em 2018 e tenho, agora, outros três para venda. No momento, tenho sete fêmeas e duas estão prenhes. Dependendo do sexo das crias, também serão comercializadas, pois só me desfaço dos machos”.

Além da venda de animais, Elias também os aluga para eventos por valores que variam de R$ 80 a R$ 100 a hora. Os mini-horses de sua propriedade – o Rancho Higino – têm de 75 a 80 centímetros de altura, enquanto um cavalo normal tem de 1,40 a 1,80 metro.

ESCOLA EM SETEMBRO

Os cavalos em miniatura têm sido largamente usados para o desenvolvimento de crianças, principalmente, especiais. Segundo a Associação Brasileira dos Criadores de Pônei, Rondônia, assim como a grande maioria dos estados brasileiros, não possui escola de equitação em pôneis. Este cenário, porém, tende a mudar em breve. O produtor rural Elias Higino explica que já está finalizando as obras para implantar aulas de equitação e equoterapia em pôneis na sua chácara. A escola vai ser inaugurada já no próximo mês. “Atualmente dois garotos portadores de necessidades especiais frequentam o rancho para cavalgar nos pôneis, mas, com a construção da pista e uma sala de aula, poderemos atender até dez alunos, três vezes por semana”, adianta.

A área da pista tem 20 metros de largura por 40 metros de extensão e possui iluminação para atividades noturnas. Segundo Elias, a mensalidade deverá custar em torno de R$ 300. “Poderão se matricular crianças e adolescentes com peso de até 60 quilos. O ideal é que comecem a participar das aulas a partir dos três anos”, informa.

EXPERIÊNCIA

Elias com os filhos Fernanda (7), montando Pérola, e Elyan (10), sobre o pônei Papi. Dos presentes dados aos filhos surgiu a ideia de investir nos mini cavalos para fins comerciais

Elias Higino esclarece que já trabalhou com equoterapia (terapia com cavalos) para crianças no México e nos Estados Unidos e que pretende adotar a mesma metodologia na escola vilhenense. “Além da experiência nessa área eu tenho, ainda, amplo conhecimento sobre cavalos, o que também é fundamental. Tudo será feito com muita dedicação para garantir a segurança e o bem-estar dos alunos”, assinala o empreendedor. Ele adianta que um espaço agradável, com lanchonete e wi-fi, será destinado aos acompanhantes dos alunos. “Nos finais de semana vamos servir refeições típicas de fazendas e promover torneios de truco, cacheta e realização de bingos. Nosso objetivo é que as pessoas possam passar o dia inteiro de lazer no Rancho Higino”, declara.

O pônei presidencial

Em 1979 um pônei de origem persa, branco com pintas pretas, entrou para a história de Rondônia ao ser entregue ao então presidente da República, João Figueiredo, em Porto Velho. O animal tinha vindo da Argentina pelas mãos do pecuarista Vitório Abrão que, anos depois, foi eleito o primeiro prefeito de Vilhena. Abrão diz que o gesto surpreendeu não só ao chefe do Executivo nacional, mas a todos os presentes na exposição agrícola da capital, onde aconteceu a entrega.
“Eu morava em Vilhena e tinha duas propriedades rurais. Na Fazenda Chapadão eu tinha cavalos da raça mangalarga e na Barreiro Rico, na beira do Rio Colorado, eu tinha cerca de trinta pôneis. Na época Rondônia era território e o governador Teixeirão sugeriu que eu presenteasse com um cavalo ao presidente Figueiredo, que viria pela primeira vez na nossa região”, narra Abrão.
Ele continua que, “mas cavalos ele sempre ganhava. Por isso, decidi dar o presente não a ele, mas ao seu neto, João Paulo, de seis anos. Pesquisei junto ao coronel Periassu, meu amigo, sobre a raça que o Figueiredo mais gostava. Era justamente a persa, que eu não tinha.

Assim, procurei com outros criadores e encontrei um na Argentina. Fiz a compra do animal, que foi levado até Foz do Iguaçu. Um funcionário meu foi até lá, transportou o pônei para Porto Velho, e entreguei o animais ao presidente. Porém, ele não o levou”.

Conforme o pecuarista, “o Figueiredo preferiu que eu mesmo entregasse o pônei ao menino e mandou um avião Búfalo buscar a mim e ao minicavalo em Porto Velho. Já na Granja do Torto, dei o pônei para o garoto, que ficou muito feliz. Nunca mais eles me esqueceram e, depois disso, tive a honra de conversar com o Figueiredo algumas vezes, por telefone, por intermédio do coronel Periassu Ferreira Mattos, chefe da segurança do presidente.

O animal dado por Vitório Abrão era parecido com este.

Mais tarde fui eleito o primeiro prefeito de Vilhena e o município recebeu importantes obras com o apoio do governo de Figueiredo, a exemplo da Avenida Brigadeiro e da Policlínica João Luiz”, revela o pecuarista.

Ele diz que o pônei dado ao neto do presidente custou U$ 3 mil, fora as despesas de transporte do Paraná para Rondônia. Abrão completa que, “sempre fui apaixonado por pôneis e, até pouco tempo atrás, tinha em minha propriedade, em Vilhena, uma linda espécie que comprei para o meu neto Miuk. Depois que o menino cresceu, o minicavalo foi repassado ao neto de amigos meus. Os pôneis são animais maravilhosos. Eu tenho um filho autista e pretendo matriculá-lo na escola do Rancho Higino assim que ela começar a funcionar ”, afirma o pecuarista.

Saiba Mais

A palavra pônei deriva do francês poulenet, ou seja, potro ou cavalo jovem. O significado moderno da palavra, no entanto, é diferente, já que se trata de um cavalo com aparência miniaturizada mesmo depois de adulto. Estes pequenos animais foram domesticados e criados para diversas finalidades, entre elas, condução, transporte de mercadorias, montaria de crianças e apresentações artísticas.

Nos séculos XVII e XVIII os pôneis eram oferecidos como presente (animais de estimação) para príncipes e princesas. No ano passado, no Reino Unido, um homem cego com medo de cães recebeu o primeiro “pônei-guia” da história. O caso chamou a atenção para mais esta habilidade dos mini-horses.

Pônei não significa uma raça de cavalo, mas sim identifica um grupo de equinos de baixa estatura. Existem mais de 100 espécies de pôneis diferentes no mundo. Cada uma tem um tipo físico. Algumas com conformação mais leve, ossaturas mais delicadas e, consequentemente, indicadas para sela. Outras são mais robustas e musculosas, próprias para tração. E ainda existem as de dupla aptidão, que são ideais para tração e montaria.

Publicado Versão Impressa em Agosto/2019

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