Prefeito acusa governo de Rondônia de agir com autoritarismo na tentativa de tomar o Hospital Regional de Vilhena

Prefeito acusa governo de Rondônia de agir com autoritarismo na tentativa de tomar o Hospital Regional de Vilhena

Em coletiva de imprensa marcada por críticas contundentes, o prefeito de Vilhena, Flori Cordeiro, denunciou a forma como o governo estadual tentou assumir o Hospital Regional Adamastor Teixeira de Oliveira. Para o gestor, a ação foi “desorganizada, política e perigosa”, colocando em risco a vida de pacientes e a estabilidade da saúde no Cone Sul.

Flori recordou que há mais de 25 anos Vilhena sustenta, com recursos próprios, uma estrutura que deveria ser responsabilidade do Estado. Segundo ele, isso drenou investimentos que poderiam ter sido aplicados em infraestrutura, escolas e serviços básicos. “Nenhuma cidade deveria carregar sozinha um hospital regional. Fizemos isso por décadas e, quando conseguimos organizar a gestão com a Santa Casa de Chavantes, o Estado aparece para tentar tomar à força”, disse.

O prefeito destacou que a Santa Casa conseguiu avanços significativos, mesmo enfrentando atrasos constantes nos repasses estaduais. Ele acusou o governo de agir com má fé ao tentar retirar a entidade sem aviso prévio, sem inventário patrimonial e sem passagem de plantão. “Vieram com um papel de duas páginas e 25 pessoas para substituir 700 colaboradores. Quem iria assumir a UTI, a farmácia, a maternidade? Era uma loucura completa”, afirmou.

Flori também relatou episódios graves durante a intervenção, como o caso em que uma funcionária da Santa Casa teria sido trancada em uma sala e pressionada a assinar uma notificação. “Isso é covardia. É um ato que beira a improbidade administrativa. Não se trata apenas de gestão, mas de respeito às pessoas”, declarou.

O prefeito lembrou que o hospital já é, por contrato, responsabilidade do Estado, mas que a transição precisa ser feita de forma gradual e planejada. “Não negamos que o hospital é do Estado. O que exigimos é que se cumpra a lei e que a população não seja colocada em risco por uma decisão política precipitada”, reforçou.

Ele citou ainda as decisões recentes da Justiça e do Tribunal de Contas do Estado, que suspenderam a ordem de desocupação e a contratação emergencial do Instituto PATRIS. O TCE apontou que a nova entidade custaria pelo menos R$ 12 milhões a mais por mês e que o Estado já enfrenta um déficit de R$ 877 milhões na saúde. “Não sou eu quem está dizendo, é o Tribunal de Contas. Eles viram que essa pressa não fazia sentido e que a empresa escolhida sequer demonstrou qualificação técnica para assumir um hospital dessa complexidade”, destacou.

Flori concluiu afirmando que a prefeitura está pronta para recorrer ao Judiciário caso o governo insista em medidas ilegais. “Temos todos os instrumentos jurídicos e assinaturas necessárias. Se o Estado quiser assumir, que faça dentro da legalidade. O hospital já é deles, mas não podem colocar em risco a vida dos vilhenenses e de todo o Cone Sul por uma decisão política mal conduzida”, finalizou.

Assim, a fala do prefeito reforça o que já havia sido reconhecido pela Justiça e pelo TCE: a tentativa do governo estadual de tomar o Hospital Regional de Vilhena foi arbitrária, sem preparo técnico e sem respaldo legal, e só não resultou em colapso porque as instituições barraram a manobra.

Fonte: Assessoria