Lojas se unem para evitar remarcação muito cedo e adiam liquidação

Lojas se unem para evitar remarcação muito cedo e adiam liquidação

Moda nacional planeja mudanças para a volta da quarentena: em carta que será divulgada na segunda-feira, a ABEST propõe mudanças das datas de venda para o atacado e de liquidações (essa última permanentemente)

Com lojas físicas fechadas, o que fazer com a coleção de inverno que estaria à venda agora? Como fica a venda da coleção de verão 2020/21 para o atacado, se os showrooms deveriam acontecer neste mês de maio? A quarentena, que se iniciou em 24.03 no Brasil para tentar barrar o aumento de casos do novo coronavírus no País, tem deixado lojistas e marcas de moda extremamente angustiados – não apenas com a falta de fluxo de caixa mas com o que deve ser feito, assim que os endereços reabrirem, com a coleção que deveria ter sido vendida durante esse período.

Para discutir tais indagações, a ABEST (Associação Brasileira de Estilistas), que reúne mais de 120 marcas e designers, se reuniu no dia de ontem (23.04) com sete dos maiores showrooms brasileiros (Salão Casamoda, Contemporâneo Business, Feira TM Fashion, Maria Eugenia Showroom, Conceito +, Novo Showroom e Fashionroom) para traçar um plano emergencial. As medidas, que contemplam mudanças nas datas de showroom para o atacado das duas próximas coleções, alterações das datas imediatas de liquidações e também uma sugestão permanente de mudança do calendário do varejo, serão divulgadas em carta aberta na próxima segunda-feira (27.04), da qual Vogue teve acesso antecipado exclusivo.

Referente aos showrooms, a proposta da ABEST, que já conta com a adesão dos sete empreendimentos que participaram da reunião e terá apoio de Paulo Borges e do SPFW, é que os showrooms que aconteceriam no mês de maio sejam adiados para o período entre a segunda quinzena de junho e o dia 10 de julho. Já os showrooms para o inverno 2021 irão ocorrer na segunda quinzena de novembro.

A medida temporária se estende também às liquidações. As lojas foram fechadas quando haviam acabado de receber as coleções nacionais de inverno, que tradicionalmente são liquidadas em julho. A recomendação da ABEST é que as peças sejam vendidas a preço cheio até o fim de julho – e a liquidação, nesta temporada, só aconteça em agosto. “É um calendário sugerido para que o negócio de moda seja sadio. Não adianta se desesperar e sair queimando a coleção de inverno. Se for necessário, nossa sugestão é que sejam aplicadas promoções, oferecendo descontos de 10, 15 ou 20% atrelados ao volume de compra”, diz Roberto Davidowicz, vice-presidente da ABEST e dono da marca UMA. Vale lembrar que, remarcações assim que as lojas forem reabertas podem até significar um fluxo imediato de caixa, mas trataria-se de um enorme prejuízo ao pensar que a coleção inteira seria vendida sem lucro. Já para as liquidações do próximo verão, que chegariam às lojas a partir de setembro, a orientação é que aconteçam apenas em fevereiro, e não em janeiro. As mais de 120 marcas que integram a ABEST serão convidadas a aderir à medida, assim como shoppings centers e toda a moda nacional. “Tenho conversado com inúmeras marcas, clientes e lojistas e nossa ideia é apenas organizar o que todos já estavam pensando”, diz Roberto. “Esse tipo de discussão é muito importante e necessária, mas o que estamos vivendo também é consequênca da falta de valorização de um processo. O consumidor não tem ideia de quanto custa fazer uma roupa no Brasil e por isso acha que paga caro em uma peça, o que acaba gerando as liquidações. É preciso ter mais transparência desses custos: o tamanho do imposto, o valor da mão de obra… Para que o consumidor de fato entenda o preço de uma peça de roupa”, complementa Paulo Borges, criador do SPFW.

A proposta da ABEST, porém, vai além: a ideia é sugerir que tal calendário de liquidações seja adotado de maneira definitiva. Muito se vem falando sobre como a pandemia veio para acelerar mudanças e discussões que já estavam em curso – e uma delas é justamente o calendário do varejo, que já vinha apresentando sinais de colapso há tempos. Marcas e lojistas já reclamavam sobre o ritmo dos sales, que começavam cada vez mais cedo e duravam cada vez mais tempo. Com as liquidações de inverno se iniciando ainda em junho (sendo que o frio de fato só chegou à maior parte do País em julho), praticamente nenhum casaco mais era vendido a preço cheio no Brasil. “Esta é uma oportunidade para mudar algo que há muito precisava ser mudado”, finaliza Roberto.

Fonte: vogue.globo.com
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