Como cuidar da saúde mental em tempos de pandemia

Como cuidar da saúde mental em tempos de pandemia

Em meio ao medo e a insegurança, um guia para não deixar a cabeça de fora da equação

Se você está em casa, se preocupa a instabilidade da vida financeira. Se de home office, tenta lidar com o novo formato de trabalho. Quem sai do isolamento, leva o medo. Quem fica, aprende a lidar com a solidão. Tem também os profissionais que não puderam parar de trabalhar e estão no fronte. Muitas situações, modos de viver que mudaram completamente e um mesmo dilema: como cuidar da saúde mental em tempos de pandemia? A gente sabe, não tá fácil para ninguém. Por isso, preparamos um guia (cheio de dicas), para te ajudar a lidar com seus sentimentos neste momento.

Todos os seus sentimentos são legítimos

Em um momento delicado, é muito cruel pensar que as respostas para ficar bem só dependem de você mesma. Por isso, é importante evitar pensamentos que coloquem toda a culpa de uma situação que é coletiva sobre um único indivíduo. “O primeiro passo é reconhecer que todos os seus sofrimentos são legítimos porque a gente está vivendo uma pandemia. É legítimo não estar com cabeça para fazer várias atividades. Assim como é importante entender o que te faz bem neste momento”, explica Elisa Zaneratto, psicológa e professora de psicologia social na PUC SP. O segredo é se observar, afinal, o que pode ser gatilho para uma pessoa não necessariamente é para outra.

Verbalize o que sente

Atenta: “panicar” pode ser normal. “Em algum momento você vai se desesperar e é importante ter pessoas com quem contar quando isso acontecer. Às vezes, a gente se desespera, valoriza demais uma questão e na verdade não é tão grave assim”, explica a podcaster Amanda Ramalho, do Esquizofrenoias. A dica? “Verbalizar, contar para alguém que te entenda e que não vá tratar como bobagem. Talvez, só de falar alto já muda a perspectiva”, aconselha ela com sua bagagem de 42 episódios do podcast que fala sobre saúde mental. “Não se intimide. Quando você fala, percebe que tem mais gente sentindo a mesma coisa”, completa. 

Busque formas coletivas de apoio para lidar com a solidão

Ao invés de se cobrar de que você precisa ser forte e aprender com a crise, tente encontrar formas para não se sentir tão sozinha no isolamento. “Tem muita gente conversando online, não só para trabalho como para encontros afetivos. Muita gente disponibilizando atividades de diversas naturezas que surgem em uma perspectiva solidária de apoio ao coletivo”, explica a psicóloga. “Em resumo, é importante não se sentir sozinha e encontrar formas coletivas e comunitárias que ajudem a manter a saúde mental. Do contrário, parece que o sofrimento é um problema só seu e, neste caso, o sofrimento é coletivo.”

Diversifique atividades

Não apenas fale sobre saúde mental como faça atividades práticas que te ajudem a ficar bem. Cuide do corpo, faça exercícios, respire direito, leia. De um modo geral, é necessário diversificar as atividades. “Tenha um momento para o lazer, outro pra cuidar de questões que envolvem sua saúde, alimentação, cuidados diário. Não fique o dia inteiro fazendo uma única coisa”, explica Elisa.

O mesmo serve para o trabalho, que precisa ser conciliado com atividades privadas, e para o consumo de notícias. “Se receber muita informação te deixa ansiosa, afeta o sono, ta aí uma coisa para pensar. Já para outros, acompanhar os fatos dá uma sensação de controle. Não tem uma única regra”, orienta Amanda.

Se comprometa com quem está com você

Já parou para pensar que, antes do coronavírus acontecer, mesmo juntos alguns de nós viviam o isolamento? Talvez por este motivo seja tão complicado agora conviver com as pessoas que estão em casa com você. “A gente vivia uma cultura do individualismo, de valorização da dimensão privada. Mesmo pessoas que estavam juntas tinham recursos para não estarem conectadas”, explica a psicóloga.

Então que tal repensar a forma como tem lidado com as pessoas próximas a você? “Para além do isolamento, essa pode ser uma oportunidade pra gente identificar quais são as nossas dificuldades nas relações e quais transformações precisam acontecer para estarmos bem com o outro”, aconselha. Bora melhorar o convívio?

E entenda que cada pessoa vive um processo

Nós sabemos, muita gente ainda não leva o coronavírus a sério e insiste em desrespeitar o isolamento. Mas calma, cada um com seu processo. “Tem pessoas que ainda acham que a gente está de férias, mas, quando elas despertarem, quem já está mais consciente do problema vai ter que olhar para elas e acolher”, alerta Amanda.

Como pedir ajuda?

Se a depressão, a ansiedade e o pânico forem constantes, procure ajuda. “Quem já faz acompanhamento com profissionais da saúde mental, é importante que continue pelos meios digitais”, aconselha a psicóloga. Agora, se tudo é novidade pra você, procure ajuda profissional. “Pode ser no serviço de saúde mental de referência do seu bairro, como o CAPS. As Unidades Básicas de Saúde também estão instruídas a oferecer apoio”, finaliza.

Fonte: revistaglamour.globo.com

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