Rondônia poderá produzir jenipapo em larga escala

Rondônia poderá produzir jenipapo em larga escala

Pecuarista vilhenense é um dos poucos a colher os frutos multiuso que podem ser aproveitados em pintura, gastronomia e medicina popular.

Saboroso e rico em propriedades medicinais, o jenipapo agrada tanto na culinária e na elaboração de chás caseiros quanto na arte de pintura em geral. O fruto nasce em árvores que chegam a medir vinte metros de altura, sendo encontrado em toda a América tropical. No Brasil, os pés de jenipapo são nativos na Amazônia e na mata atlântica, principalmente em regiões mais úmidas ou próximas de rios. No entanto, em Rondônia, apenas há cerca de três anos sua cultura passou a ser difundida com mais ênfase e, até hoje, são raros os produtores que já colhem jenipapo. O nome do fruto é conhecido no país inteiro devido ao seu licor, mas existem muitos brasileiros que jamais viram esse fruto pessoalmente. O consultor florestal de Ji-Paraná, Adilson Pepino, informou que, por se tratar de árvores nativas, ainda não existe produção em larga escala para uso comercial no estado. Ele explicou, porém, que o jenipapo está inserido no Projeto Beija-Flor, voltado à área de preservação ambiental com revitalização de nascentes e matas ciliares. Ao todo são de vinte a trinta mudas plantadas a cada hectare revitalizado. O projeto inclui 868 plantas de 48 espécies ao total. “A iniciativa busca auxiliar moradores da área rural e urbana sobre a preservação e conservação dos recursos hídricos, além de revitalização de nascentes degradadas. Para atingir esse objetivo foram escolhidas algumas espécies como as árvores de jenipapo, castanha e copaíba. Assim, é possível preservar a natureza e, ao mesmo tempo, agregar valor à propriedade com a venda desses produtos”, diz. Segundo o consultor, o sucesso obtido com a implantação do projeto em Rondônia, iniciado em 2016 e implantado em 2017 com a produção de mudas, fez com que a experiência fosse aplicada em outros estados brasileiros. “Por enquanto, o próximo passo, a ser realizado ainda este ano, é a implantação do modelo no município de Governador Valadares, em Minas Gerais. Esperamos que, em breve, todos estados tenham acesso a este trabalho que é essencial para o pleno desenvolvimento sustentável das nascentes e dos recursos hídricos de nosso país”, declara. “São muitos os usos do jenipapo e o incentivo é, inclusive, para que ele possa ser comercializado em larga escala, incrementando a economia rondoniense”, frisa Pepino. CONE SUL Em Vilhena, o agropecuarista Vitório Abrão possui árvores de jenipapo, já produzindo, na chácara onde mora, perto da Unir. Ele ganhou uma muda de um amigo e a plantou em 2010. Demora de cinco a oito anos para que os pés deem jenipapos e Abrão teve sua primeira colheita há dois anos. Da árvore ele fez novas mudas e, atualmente, são vários jenipapeiros em sua propriedade. Embora o fruto possa ser consumido in natura, logo após estar maduro, o agropecuarista prefere fazer licor para consumo próprio e presentear os amigos. “O processo é bem simples: bastar lavar bem o fruto maduro e, para cada quilo de jenipapo, colocar um quilo de açúcar deixando ferver até virar uma pasta grossa. Em seguida, é só adicionar cinco litros de cachaça e deixar curtir por sessenta dias, quando então deve ser coado e engarrafado. Pode-se usar as embalagens originais da cachaça”, sugere. Outra bebida muito apreciada feita pelo agropecuarista é o suco de jenipapo. Neste caso, o fruto inteiro é batido no liquidificador com água, depois coado e adoçado. Ainda na culinária, a polpa da fruta pode ser congelada e usada para fazer doces, geleias e pratos salgados.

Abrão com jenipapeiros ao fundo: “Os frutos podem ser altamente rentáveis”

REMÉDIO

Já na área medicinal, o jenipapo é rico em vitaminas B1, B2, B3, B5 e C, contendo, ainda, vários minerais. Os mais presentes são o ferro, o cálcio e o fósforo. A grande quantidade de fibras encontrada no fruto também o transforma em um alimento ideal para quem sofre com prisão de ventre. A raiz é outra parte aproveitável do jenipapeiro: seu chá é largamente utilizado como laxante, tamanha a sua eficácia no trato intestinal. O poder curativo da planta não para por aí. Algumas partes do jenipapeiro, como a raiz, as folhas e os frutos. têm diferentes propriedades medicinais que, se usadas em forma de garrafada, servem para emagrecimento e auxílio em dietas para redução do colesterol ruim. Além de oferecer um excelente valor nutricional, o fruto também é muito indicado para quem sofre de bronquite e asma. Por isso, em diversos lugares do país é comum oferecer xarope do fruto a pessoas que têm problemas nos pulmões. AFRODISÍACO O jenipapo também é considerado um fruto com ações afrodisíacas. De acordo com algumas tradições, ele é capaz de aumentar a libido e, consequentemente, o apetite sexual. Mas, por enquanto, se trata apenas de crença popular, sem nenhuma comprovação médica. TINTURA Em guarani, jenipapo significa “fruta que serve para pintar”. Do sumo do fruto verde se extrai uma tinta com a qual se pode tingir a pele, paredes e cerâmicas, entre outros artefatos. Exemplo disso é que o jenipapo é usado por muitas etnias da América do Sul na pintura corporal. A tinta some apenas depois de aproximadamente duas semanas.

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