Frigorífico de peixes da capital é modelo em agroindústria

Frigorífico de peixes da capital é modelo em agroindústria

Meta da proprietária é expandir a variedade de produtos e as vendas para todo o estado A forte piscicultura do Estado de Rondônia tem atraído investidores de forma constante, especialmente adeptos da piscicultura em propriedades enquadradas no sistema de agricultura familiar.

Para girar a economia do setor, um dos principais pilares é o beneficiamento do produto. E é neste ponto que acontece a participação dos frigoríficos de peixe.

A empresária Nara Regina de Souza Cruz (48) está entre os rondonienses que apostaram na agroindústria e alcançaram grande sucesso. Ela é proprietária do Frigorífico Progresso, localizado na zona rural de Porto Velho – o primeiro implantado na capital. A empresa adquire os pescados de quarenta criadores, tanto de Porto Velho quanto de Candeias do Jamari, Itapuã do Oeste e Ariquemes. Isso sem contar a produção própria do frigorífico, que hoje possui doze tanques de tambaquis, pintados e pirarucus.

HISTÓRIA

Filha de ribeirinhos, natural de Itacoatiara (AM), Nara Regina chegou com a família em Rondônia aos 12 anos, quando conseguiu trabalho para limpar o chão de uma farmácia. Anos mais tarde se tornou gerente de várias lojas num pequeno conglomerado, tornou-se artista plástica e começou a pintar paisagens em escolas com a ajuda dos filhos Pablo Roberto e Paulo Cesar da Cruz Paes, ao mesmo tempo em que cursava faculdade de Fisioterapia.

No final de 2010, Nara decidiu dar uma guinada e trocou sua casa, localizada na cidade, por uma chácara de 3,5 alqueires na Linha Progresso.

“A propriedade tinha dois açudes e passamos a criar peixes. Para tanto, busquei orientações na Semagric (Secretaria Municipal de Agricultura) que deu grande incentivo ao negócio.

Quando me formei fisioterapeuta, comecei a atender pacientes na zona rural que reclamavam de dores, especialmente na coluna, que inviabilizavam a lida deles com lavouras e criações, a exemplo de gado e porcos. Por isso, incentivei-os a criar peixes, uma atividade menos árdua e tive a ideia de montar um frigorifico para comprar suas produções”, conta Nara.

Ela explica que continuou a pintar as paisagens nas escolas e, por ser conhecida no setor de ensino e falar sobre a intenção de montar um frigorífico de peixes, foi convidada a fornecer o alimento para a merenda escolar dos estabelecimentos de educação estaduais de Porto Velho.

“Para tanto, eu precisava consolidar o frigorífico e me adequar às leis para conseguir o S.I.M (Serviço de Inspeção Municipal). Procurei novamente a Semagric atrás de apoio e me ofereceram os equipamentos para frigorífico de peixes da prefeitura que estavam parados. Uma equipe vistoriou a minha propriedade e a aprovou para o projeto. No final de 2016 as instalações

já estavam prontas e, alguns meses depois, já com o projeto consolidado, eu e minha família passamos a nos dedicar inteiramente a ele. A partir daí, voltamos a nos adequar, fazer novos investimentos e conseguimos o S.I.E (Serviço de Inspeção Estadual) no ano passado. Isso nos possibilitou expandir as nossas entregas para Candeias e Itapuã do Oeste”, esclarece.

CRESCIMENTO

Praticamente toda a produção da empresa é destinada à merenda escolar de 98 unidades de ensino. Em três anos de existência, o Frigorifico Progresso Pescados teve uma expansão considerável, gerando emprego e renda para Porto Velho.

“No início éramos somente seis pessoas da família, um funcionário e um caminhão câmara fria, também conseguido através da Semagric, que o tinha recebido do Ministério da Pesca. Atualmente, além da família, temos quinze funcionários no frigorífico e a assistência direta do veterinário Ronaldo Martins. Contamos ainda com mais outro caminhão câmara fria, que nos foi repassado pela Secretaria de Agricultura de Rondônia. Hoje, entregamos 40 toneladas de pescado por ano ao Governo do Estado, beneficiamos mil quilos de pescado por  dia, mas temos capacidade para dois mil”, expõe Nara.

RECONHECIMENTO

Entre os apoios que a agroindústria teve para se consolidar, a empresária destaca a participação do secretário de Estado de Agricultura, Evandro Padovani. “Ele nos atendeu pessoalmente, lutou junto conosco para que o frigorífico pudesse funcionar e, várias vezes, chegou a vir na propriedade para acompanhar pessoalmente os projetos e as nossas obras. O secretário foi e continua sendo um grande parceiro, assim como toda a equipe do S.I.E que sempre nos estendeu a mão”, salienta. Mais um importante apoiador destacado pela empresária é o engenheiro civil Ângelo Conti Junior, proprietário do Engenheiros Hotel de Porto Velho e responsável pelas obras do frigorífico. “Ele é outro que não mediu esforços para que pudéssemos fazer  todas as adequações exigidas por lei, sem jamais ter nos pedido nada em troca. Esse engenheiro faz parte dos servidores da Semagric, mas, mesmo fora de horário de trabalho, nos atendia prontamente e, por isso, tem todo o nosso reconhecimento também”.

HIGIENE

No Frigorífico Progresso chama a atenção o alto padrão de higiene, desde o recebimento do pescado até a expedição dos produtos já filetados, embalados e congelados. Cada peça recebe a etiqueta com todas as informações pertinentes, a exemplo de peso, datas de embalagem e validade, lote, dados nutricionais e, principalmente, selos de inspeção, que garantem a qualidade do alimento.

As espécies fornecidas à merenda escolar são tambaqui, pintado, pirarucu, filhote e dourado. “Cada espécie é manipulada num dia separado para evitar a contaminação cruzada, seguindo orientação da Idaron. Todas as peças são de filés sem espinha e está em fase de liberação o benefiamento de jatuaranas”, menciona Nara.

A contaminação cruzada é uma transferência de micróbios de um alimento contaminado (normalmente cru) para outro alimento, diretamente ou indiretamente. Muita gente não sabe que ao utilizar a mesma faca para cortar uma carne crua, e em seguida a carne já preparada, pode transferir microrganismos que fazem mal à saúde, conforme ensina a piscicultora.

“No momento pleiteamos o Sisbi (Sistema Brasileiro de Inspeção de Produtos de Origem Animal) para poder exportar nossos produtos para outros estados e para fora do Brasil”, adianta.

A Agência de Defesa Sanitária Agrosilvopastoril de Rondônia (Idaron) realiza inspeções periódicas nos frigoríficos de peixes localizados no estado para garantir o controle de qualidade dos pescados.

Em todas elas, o Frigorífico Progresso teve aprovação total. As inspeções são feitas de duas a três vezes por semana. A Idaron

envia um fiscal nos estabelecimentos frigoríficos para acompanhar toda a produção, desde a chegada até a expedição, que é a saída para o mercado. São fiscalizados a estrutura, temperatura, higiene, manuseio, armazenamento e processamento do produto.

ESTRUTURA

O Frigorífico Progresso Pescados possui área construída de 300 metros quadrados divididos em um escritório da empresa e outro do S.I.E, além de salas de “área suja” e câmara fria, “área limpa”, primeira embalagem e túnel de congelamento, mais as salas de segunda embalagem, câmara fria e expedição. No local ainda funcionada sala da Cooperativa de Piscicultores, Aquicultores, Pescados, Produtos Rurais e Extrativistas do Estado de Rondônia (Cooppeixe), da qual Nara Regina é presidente.

NOVOS PRODUTOS E MERCADOS

Em breve o Frigorífico Progresso lançará embutidos no mercado. O veterinário Ronaldo Martins já está providenciando toda a  documentação junto à Idaron para que a empresa possa fabricar embutidos, a exemplo de linguiça, bolinhos e almôndegas de peixe. “Além de entregar os produtos para o Governo do Estado, também temos capacidade de atender revendedores de toda Rondônia, tanto empresas quanto particulares que queiram fazer a revenda. Quem tiver interesse pode nos contatar pelos telefones 99261-6176 e 99232-8331, código 69”, observa Nara. Na foto, o marido da empresária, a filha Pabliane e o netinho Gustavo.

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